quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lula é o cara

Marcelo Carneiro da Cunha*

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.


Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista.



E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.


Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui.. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal "tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai". Uffff.
Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.


Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.


Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.


Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.


O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.
Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre "banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia" que hoje é repetida no mundo inteiro?


Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.


Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.


Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.


Dizer "Esse é o cara" afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

*Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe".

Colaboração: Denise Prisco.
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3677589- EI8423,00- Lula+e+o+ cara.html

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sábado, 28 de março de 2009

Escutatório


*Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto...


*Rubem Alves - Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary. Professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP. Membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

terça-feira, 24 de março de 2009

sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Água


História do Dia Mundial da Água, 22 de março, Declaração Universal dos Direitos da Água, sugestões de preservação



Água: um bem natural que deve ser preservado


Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água” (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

quarta-feira, 11 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

PRECISAMOS NOS POSICIONAR E EFETIVAMENTE LUTAR POR MELHORES DIAS


por:Josenilton kaj Madragoa*


Toda formação social tem a sua fatia podre, igualmente como dentro de cada um de nós. Existem fatias finíssimas e há outras que são quase uma banda inteira.
A fatia podre geralmente é a parte que faz mais barulho e chama à atenção, ao ponto de comprometer a imagem da parte maior do todo social. Mas só a imagem.
Tendemos a julgar a maioria pela minoria. A maioria boa e decente é pulverizadamente anônima. Precisamos ver o bem ou o bom da vida também. E precisamos acima de tudo fazer o bem para os bons, o bem a quem faz o bem, o bem para os maus e o bem a quem faz o mal.
Tendemos a ver nos outros o que há dentro de nós mesmos de forma prevalente. Julgar sempre foi mais fácil do que julgar-se e do que fazer pelos outros o que gostaríamos que os outros fizessem por si e por nós.
O pessimismo social sistemático é muito também um sintoma de egoísmo, de amargura, típico dos mal amados e dos maus amantes.
O simples pessimismo não muda nada. O que muda é a visão ativa, a arte, a leveza, o bom humor, as brincadeiras e outras ações psicoinclusivas e positivadoras. O que faz a diferença nestes conflitos transicionais é a busca incessante pelos valores naturais autênticos, inclusive a partir da vigilância dos próprios pensamentos e dos sentimentos. [O problema é a falta de microfones, de megafones, de câmeras e de holofotes, que são vastamente explorados pelas forças alienantes, que, por isso, passam a impressão de que são maioria. Ademais, o ruído de um tiro repercute muito mais nos tímpanos sociais do que o estalar de um beijo.]
Não que devamos esperar somente coisas boas na nossa direção. Não devemos agir como os otimistas visionários. Devemos mesmo é ser otimizadores, fazer a nossa parte, construir, ainda que formicularmente, a sociedade perfeita que sonhamos, a partir da nossa casa, do nosso local de trabalho, da nossa igreja, da nossa família e dos lugares por onde passamos.
Mais importante do que sermos pessimistas ou otimistas é buscarmos um mirante que nos dê uma visão panorâmica de toda a formação social da qual fazemos parte, com nossos bens e com nossos males. Veremos, certamente, que há muito mais motivos para sermos felizes do que infelizes com o mundo. Veremos que Jesus está presentado no meio de nós, não somente na pessoa dos bêbados, dos indigentes e dos mais humildes, mas também na pessoa dos amigos, dos trabalhadores anônimos, das crianças, dos velhos, dos bons policiais, dos juízes corretos, dos caridosos, e no coração de todas as pessoas, independentemente de suas aparências sociais, emocionais e psíquicas.
Quanto mais panorâmica for nossa visão e quanto mais enxergarmos os outros pela lente do amor, da compreensão e da solidariedade, tanto mais felizes nos sentiremos, ao ponto até de reconhecermos que, na média, a vida é mesmo bela.
Principalmente nesta fase de transição planetária e sua efusão de invasões ideológicas capitalísticas e sócio-drogais (alcoolina[1], musicaína[2], nicotina etc), que têm um raio de ação que atinge a todos ativa ou passivamente, há a impressão de que o mundo está irremediavelmente perdido.
A pior droga chama-se inação. Existem pessimistas otimizadores, que se posicionam ativamente no chamamento à ordem e à atenção para os males sociais, e existem os otimistas pessimizadores, que vivem vendo só alegria e beleza em tudo, num verdadeiro mundo de Oz, mas que nada fazem para melhorar seu derredor social. São os alienados mais perigosos.
Quando se parte para fazer alguma coisa positiva, com boa vontade, as surpresas tendem a acontecer em cada esquina, em cada olhar, em gestos simples, onde e quando antes nada se via em estado de prostração.
O caos não é exatamente caótico, mesmo nesta pororoca transicional do planeta Terra de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. O fluxo de encontros, desencontros, reencontros e não encontros continuam sob estreito controle das forças cósmicas divinais. Mesmo as energias vampíricas e más têm alguma permissão de se espraiarem, porque têm utilidades corretivas e provativas.
O bem que não fazemos para contribuir implicará o aumento cada vez maior da violência e da criminalidade, da alienação, das doenças e das mortes, inclusive voltadas para nossas direções.
Os grandes fluxos de confusões, conflitos e tumultos estão sempre a nosso alcance perceptivo. A tendência de muitos de nós é se refugiar em suas fortalezas ideológicas. Enquanto isso, lá fora, no meio do barulho há muitos anônimos colaboradores do Cristo tentando suavizar dores, despertar consciências, fomentar esperanças, nos vários "corredores humanitários"[3] desta grande batalha final. E nós? Estamos dando algum demão ao Cristo ou só exercendo o papel de críticos sociais e políticos?
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[1] Qualquer mistura que contém álcool e que age no sistema nervoso central provocando estado de entorpecimento e de embriaguez, geralmente causando viciação e danos físicos ou psíquicos com a continuação do uso.
[2] Qualquer ritmo sonoro simples injetado pelos ouvidos através de aparelhos eletrônicos, normalmente de forma repetida e bastante alta, ao ponto de drogar viciadamente seus usuários. Alguns o chamam de música e a seus produtores, de artistas.
[3] Expressão utilizada a partir de janeiro de 2009, na atual guerra entre Israel e Palestina.


*Josenilton kaj Madragoa denomina-se um escritor social. Possui bacharelado em Direito e é pós-graduado em Estudos Lingüísticos e Literários, pela UFBA, e em Direito e Processo do Trabalho, pela UCSAL. Fala e ensina a Língua Internacional Esperanto.

Josenilton kaj Madragoa diz: Fiz uns retoques na minha crônica "Inspirado pela Faixa do Bonfim e pela Festa de Gaza". Quem eventualmente não a leu, mas ainda "é dado lê-la", queira priorizar sua leitura a partir da versão do site Recanto das Letras (http://www.recantodasletras.net/discursos/1390125), agora sob o título "Sejamos Pessimistas Otimizadores".
Grato

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mães deficientes visuais cuidam sozinhas dos filhos

*Na foto: Laura de Abreu Freitas
Fotografo: J. LUÍS

O toque, o cheiro, o som e a intuição são as armas secretas das mães cegas na hora de cuidar dos filhos pequenos

A cegueira não impediu que 12 mulheres cearenses com deficiência visual realizassem o sonho da maternidade. Como toda mãe de primeira vez, elas tiveram que aprender a amamentar, dar banho e alimentar os bebês. Uma pesquisa inédita no Brasil, realizada no Ceará, revela que não só essas mulheres venceram as dificuldades da deficiência, como também conseguiram cuidar sozinhas dos seus filhos.

O estudo, em fase final de análise, é da professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), enfermeira Márcia Maria Tavares Machado. “As mães foram identificadas em instituições que atendem pessoas cegas e, a partir da técnica de bola de neve, mulheres indicavam outras mães. Responderam ao questionário mães cegas com filhos de zero a dez anos de idade”, disse a pesquisadora da UFC.

Segundo ela, não existe informações oficiais sobre o quantitativo de mães cegas no Estado ou no Brasil e, até a literatura científica fala pouco sobre o assunto. O único dado que conseguiu levantar no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que há 700 pessoas cegas residindo no Município de Fortaleza.

Para ter o perfil das mães cegas, seu dia-a-dia, a pesquisadora da UFC partiu do zero. Participaram da pesquisa 12 mães cegas, com idade média de 30 anos e escolaridade que variou entre o Ensino Fundamental e o nível superior. Sete eram casadas ou viviam com o companheiro.

A pesquisa mostrou que todas as mães cegas amamentaram seus filhos na enfermaria e em casa, após a alta. Metade dos partos foi normal e somente uma teve acompanhante no parto. A maioria entrou sozinha na sala de parto e quando o bebê nasceu foi levada para o berçário. “Os profissionais de saúde acham que as mães cegas não sabem cuidar do bebê e dificultam o acesso dos familiares. A pesquisa mostrou que somente 58,3% das gestantes tiveram acompanhantes na enfermaria”, criticou a professora Márcia Machado.

Com relação às práticas da amamentação, a pesquisa revelou que apenas 50% das mães receberam orientação sobre a técnica durante o parto. O estudo apontou ainda que algumas tiveram dificuldades para amamentar e receberam apoio de familiares e, especialmente, de vizinhos.

A partir do relato das mães cegas, que o pré-natal é geralmente realizado por médicos dos hospitais, onde houve o parto. Apenas duas fizeram o pré-natal na atenção básica. “Observamos que há um despreparo entre os profissionais de saúde em lidar com mães cegas. Essas mulheres necessitam de um suporte maior, desde a gravidez. Espero que essa realidade mude”, conclui.

SEM MEDO

Famílias driblam as dificuldades

Laura de Abreu Freitas, cega de nascença, foi mãe pela primeira vez aos 17 anos. Hoje, aos 25 anos, ela é mãe de Gabriel, de 8 anos e, de Vinícius, de um ano e oito meses. “No começo, tive muito medo, mas minha mãe me ajudou a cuidar do Gabriel nos primeiros 15 dias. Com o segundo, ela ficou somente até cair o umbigo”, relata.

Apesar da segunda gravidez, ela ainda tem dificuldades para ministrar os remédios quando está sozinha. “Quando o Gabriel está em casa, ele me ajuda. Se não tem ninguém, coloco o dedo no copinho do remédio e vou sentindo as gotas até chegar à dosagem do medicamento”, conta Lauras. Essa técnica de dar remédios aos filhos ela aprendeu na prática, mas diz que não serve quando é injeção. “Como o meu marido também é cego, prefiro os remédios em gotas”.

Hoje, ela tem mais problemas para dar banho no filho caçula e, desde o primogênito nunca sentiu dificuldades na hora de cozinhar. “Sempre gostei de cozinhar e para me ajudar nas tarefas em casa, tenho uma diarista”, salientou Laura. Para ela, a maior dificuldade das mães cegas é o preconceito da sociedade.

Contou que no início do casamento, o fato de morar com sua mãe, algumas pessoas achavam que a avó deveria cuidar do seu filho. “Minha mãe nunca concordou e respondia que eu é que tinha de cuidar, pois ela sempre me criou como se eu fosse normal”, frisou.

Para Socorro Campelo Bessa, 35 anos, não há mistérios em cuidar da filha Edvone Maria, de quatro anos. “Amamentei minha filha até dois meses atrás”, diz a mãe cega. Casada com Augusto de Sousa, também cego, ela já faz planos para ter outro filho e de voltar a trabalhar fora de casa.

SUCESSO

50% das mães cegas receberam orientação sobre amamentação durante o pré-natal
16,7% tiveram dificuldades para amamentar após a alta hospitalar
18,2% buscaram ajuda para resolver o problema
66,7% das mães cegas deram à luz a meninas normais
83,3% não trabalham

SUELEM CAMINHA
Repórter

*Laura de Abreu Freitas, de 25 anos, foi mãe pela primeira vez aos 17 anos. Hoje, ela cuida dos dois filhos Gabriel e Vinícius

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*Boris Kipriyanovich

Falando com propriedade sobre as características de Marte, Boris Kipriyanovich afirma ter encarnações passadas naquele planeta e enfatiza a Lei de Amor entre os homens na Terra neste período de transição.

A pluralidade dos mundos habitados é revelação básica, aceita, há 150 anos, pelos seguidores do Espiritismo. Faltam-nos, porém, até o momento, provas mais concretas da existência de vida extraplanetária. E isso não deixa de aguçar a nossa imaginação: como seriam esses outros seres? Que tipo de vida teriam?

Recentemente, um menino russo de apenas 12 anos, que dá entrevistas desde antes dos 7, tem aguçado ainda mais a nossa curiosidade, pois afirma ter tido suas últimas encarnações no planeta Marte. A história pode ter uma conotação fantasiosa, própria de crianças dessa idade, mas as entrevistas feitas com ele por cientistas russos impressionaram tanto que o assunto mereceu destaque no Pravda, um dos jornais de maior circulação da Rússia. Assuntos já conhecidos por todos os que estudam o Espiritismo são referidos, naturalmente, por ele, com riqueza de detalhes: reencarnação, necessidade de amor e perdão, transformação e regeneração planetária, entre outros.

A história de Boris, ou Boriska, como é conhecido, começou a evidenciar-se logo aos 3 anos de idade, quando já nomeava com exatidão os planetas do Sistema Solar e apontava sua localização, bem como falava das galáxias e do Universo em geral. Aos 7 anos, chamou a atenção de pesquisadores ao relatar dados físico-químicos de Marte, bem como a estrutura de naves espaciais, detalhes sobre as civilizações e expedições ao planeta Terra. Revelou ainda dados do grande continente da Lemúria, desaparecido há milhares de anos, tudo com um vocabulário altamente evoluído e técnico, não compatíveis com sua idade. Vale ressaltar que ele nunca ouvira falar de tais assuntos anteriormente. Tal riqueza de informações fez com que os cientistas afirmassem que as histórias contadas por Boriska não são frutos de sua imaginação, mas sim memórias de vidas passadas no planeta Marte, pois muitos dos detalhes transmitidos devem ser pessoalmente conhecidos.

Vida extraplanetária

Sua habilidade intelectual sempre foi superior à de outras crianças de sua idade, porém nada se compara às terminologias utilizadas por ele para falar sobre o cosmos. Boris relatou ainda como costumava viver em Marte, que o planeta era habitável e que sobreviveu a uma catástrofe que modificou a história do planeta e de seus habitantes: a destruição da atmosfera, fazendo com que a vida só continuasse possível em cidades subterrâneas. Nesse período, ele freqüentemente fazia viagens ao planeta Terra, onde realizava pesquisas científicas. Isso na época da antiga Lemúria, onde relata ter presenciado explosões de montanhas que causaram o afundamento do continente nas águas. Conta ainda que um lemuriano, amigo seu, faleceu diante de seus olhos sem que nada pudesse fazer. Ficou, porém, para ambos, a certeza de que se reencontrariam nesta vivência sobre a Terra. E isso é algo reconfortante. Boris ainda explica que nossas sondas espaciais são facilmente destruídas ao se aproximarem de Marte devido aos raios que emitem. Em 1988, esse fato foi alertado pelo russo Yuri Lushnichenko, que tentou avisar os líderes soviéticos do Programa Espacial Russo sobre as possíveis falhas das sondas Phobos 1 e Phobos 2, devido aos raios e às baterias radioativas que seriam estranhos à atmosfera de Marte. Mesmo com a falha das sondas, o governo soviético não deu atenção ao aviso. Essa tática de aproximação, no entanto, deverá ser reavaliada.

Transição

Os cientistas que entrevistaram Boris perguntaram o porquê do surgimento de tantas crianças com inteligência acima da média. O garoto respondeu que decorre das mudanças que acontecerão em breve no planeta, situando-as em 2009 e 2013. Com seus conhecimentos, essas crianças vão ajudar os povos espalhados por toda a Terra a passar pelo período de transição. Lembrou que essas modificações já ocorreram em Marte e não foi tudo destruído como pensamos. Muitas pessoas sobreviveram e recomeçaram suas vidas, apesar das mudanças nos continentes e também na composição da atmosfera. Esses ciclos periódicos de transformações bruscas, pelos quais passam os planetas, fazem parte de reajustes cármicos de seus habitantes e da renovação natural. São regidos, portanto, por forças universais que propiciam a evolução e o aprimoramento da essência das criaturas e da própria Criação Divina. Ressaltou ainda que, nos períodos de transição, é fundamental manter a esperança no futuro e a crença na sobrevivência da alma.

Vale a pena relembrar que os antigos maias já davam por certa a transição em 23/12/2012, data próxima à citada pelo garoto Boris. Devemos lembrar que as profecias maias não foram feitas por pessoas que gostam de catástrofes, mas sim por estudiosos da época que chegaram à conclusão que essa data seria o fim de um ciclo para o nosso planeta. Essa transição, ainda de acordo com as profecias, seria boa ou ruim, dependendo da própria humanidade. Para alguns (os sensíveis e intuitivos) seria ótimo, para outros (os racionais) um grande sofrimento. Não seria o fim do planeta, mas o início de uma Nova Era.

Lemúria, lei do amor e reencarnação

Quanto ao desaparecimento dos habitantes da Lemúria, Boris comentou que os lemurianos não estavam mais se desenvolvendo espiritualmente, haviam se desviado do caminho da luz, e isso acabou por destruir a integridade daquele continente.

Não sabe ainda qual a sua missão na Terra, porém, já descortina o futuro do planeta. O conhecimento será distribuído de acordo com a qualidade e o nível de consciência de cada indivíduo. No que se refere à reencarnação, afirma que se lembra com exatidão de sua vida em Marte, especialmente das guerras que por lá existiram.

Quanto ao período de transição, que ora vivemos, afirma que os novos conhecimentos não serão dados às pessoas mesquinhas ou viciosas como ladrões, alcoólatras e aqueles que não desejam se mudar para melhor. Esses terão que deixar o nosso planeta.

A informação terá um papel preponderante na evolução, porque é um tempo de união e cooperação que se inicia na Terra.

Para Boris, as pessoas sofrem ou são infelizes por não viverem corretamente. Elas precisam ser boas. E conclama: se alguém lhe bater, abrace quem o feriu. Se fazem você sentir-se envergonhado, não espere por desculpas, peça-as você. Se o insultam e humilham, ame-os do jeito que são. Essa é a relação do amor, da humildade e do perdão, que deve ser observada por todos. Amar uns aos outros, essa é a Lei, conclui o garoto que afirma vir de Marte.

O consolo é que existirão sempre médiuns e profetas confiáveis que continuarão a alertar os seres humanos quanto às probabilidades dos acontecimentos futuros. Com isso, nossas mentes vão se abrir para o fato de que a única forma de evitarmos as grandes catástrofes exteriores é eliminando as catástrofes interiores, calcadas em nossos próprios vícios e paixões.

Há na literatura espiritualista profecias e mensagens que apontam para os prováveis rumos que a humanidade tomará em futuro breve. Muitas delas coincidem com as revelações do menino Boriska. Não devemos, todavia, nos ater ao aspecto destrutivo da transição, como nos ensina o garoto, mas ao que ela traz de bom. Como o Espiritismo também enfatiza, devemos nos voltar ao objetivo primordial da existência: a reforma íntima. Através do esforço pessoal na melhoria interior, contribuiremos para a evolução de nossa própria alma e do mundo que habitamos, tendo por base o amor ao próximo.

*Boris Kipriyanovich Boriska nasceu na Rússia em 11 de janeiro de 1996, ele é um jovem adolescente com 12 anos de idade e vem sendo notícia desde muito menino nos vários jornais, revistas e documentários da tv do mundo inteiro. Ele é considerado uma das mais destacadas "indigo-children", ou crianças azuis, uma nova geração de seres humanos dotados de faculdades especiais, com um alto grau de inteligência e surpreendentes conhecimentos sobre o Universo, os Extraterrestres, os Mundos habitados, o passado remoto da Terra, os Mistérios da Antiguidade, e o futuro do Planeta.

http://www.novaera-alvorecer.net/boriska.htm
http://www.youtube.com/watch?v=y7Xcn436tyI

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ÁRVORES GENEROSAS



A gratidão é uma rara virtude. É comum as pessoas guardarem mágoas por muitos anos de coisas desagradáveis que vivenciaram.

Mas se esquecem, com rapidez, das dádivas que lhes foram ofertadas, ao longo da vida.

Isso nos recorda de uma história simples e fantasiosa, que chegou a ser tema de um filme de curta-metragem, chamado A árvore generosa.

É a história de uma árvore que se apaixona por um garoto.

Moleque, ele se balançava nos seus galhos. Colocou um balanço e imaginava voar, balançando-se sempre mais alto, mais alto.

Subia nela, até o topo, para ver à distância, imaginando que a árvore era um navio e ele estava em alto mar, à busca de terras a serem descobertas.

Na temporada das frutas, ele se servia das maçãs, deliciando-se com elas.

Cansado, dormia à sua sombra. Eram dias felizes e sem preocupações. A árvore gostava muito dessa época.

O menino cresceu e se tornou um rapaz. Agora, por mais que a árvore o convidasse para brincar, ele não ouvia.

Seu interesse era angariar dinheiro, muito dinheiro. A árvore generosa lhe disse, um dia:

Apanhe minhas maçãs e as venda.

O jovem aceitou a sugestão e a árvore ficou feliz.

Por um largo tempo, ela não o viu. Ele se transferiu para outros lugares, viajou, angariou fama e fortuna.

Quando ela o viu, outra vez, sorriu, feliz e o convidou para brincar.

Contudo, ele agora era um homem maduro. Estava cansado do mundo. Preocupações lhe enrugavam a testa.

Tantos eram os problemas que nem ouviu o coração da árvore bater mais forte quando ele se encostou, de corpo inteiro, à sua sombra, para pensar.

Queria sumir, desaparecer, desejando em verdade fugir dos problemas.

A árvore generosa lhe sussurrou aos ouvidos e agora ele ouviu:

Derrube-me ao chão, pegue meu tronco e faça um barco para você. Faça uma viagem, navegando nele.

Ele aceitou a sugestão e a árvore tornou a se sentir feliz.

Muitos anos se passaram. Verões de intenso calor, primaveras de flores, invernos de ventos e noites solitárias.

Finalmente, o homem retornou. Estava velho e cansado demais para brincar, para sair em busca de riqueza ou para navegar pelos mares.

A árvore lhe sugeriu:

Amigo, fui cortada, já não tenho sombra. Sou somente um toco. Que tal sentar e descansar?

O velho aceitou a sugestão e a árvore ficou feliz.

Fazendo uma retrospectiva de nossas vidas, comparando-as com a da árvore e do menino, é possível que nos identifiquemos em alguns pontos.

Quantas árvores generosas tivemos na vida? Quantas nos deram parte delas para que crescêssemos e pudéssemos alcançar nossos objetivos?

Quantas árvores generosas nos sustentaram nas horas difíceis, alimentando-nos com seus recursos?

Foram muitas, muitas mesmo.

Se as fôssemos enumerar todas, talvez não coubessem seus nomes em uma só folha de papel: pais, amigos, irmãos, vizinhos, colegas.

Por isso, essa é uma homenagem de gratidão a todas as árvores generosas dos nossos caminhos. A todos os que foram sustento, abrigo, aconchego, fortaleza....

Obrigado, Senhor da Vida.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Reflexões de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press. Extraído do endereço: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2047&stat=0.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A NATUREZA PEDE SOCORRO




* Rose Tunala



Houve um tempo em que o equilíbrio regia a natureza, as estações eram bem definidas e os seres viviam em harmonia. Isso não quer dizer que tudo sempre tenha sido tudo um paraíso. Havia secas sim, havia períodos de chuvas intensas também, assim como pragas e outras manifestações. Mas a própria natureza se encarregava de estabelecer o equilíbrio e os seres viviam em harmonia com o ambiente, mesmo nas adversidades que cada região oferece por características próprias.

Nossa terra de Vera Cruz, um dia grande e unificada floresta, a cada dia que passa vai se reduzindo a meras manchas verdes nas suas dimensões continentais. O progresso vem se estabelecendo desde que os colonizadores aqui pisaram e perceberam que a terra era mágica, “... aqui, plantando, tudo se colhe...”. Para as grandes lavouras de café e cana-de-açúcar, árvores caiam ao chão sem nenhum critério, como continua acontecendo nos dias de hoje. E grandes extensões de “desertos verdes” foram se formando e deformando nosso solo.

O desmatamento generalizado, erros no manejo agrícola e pecuário do solo, o crescimento desordenado de núcleos urbanos e a concentração forçada do escoamento de águas pluviais tem provocado um catastrófico processo de erosão rural e urbana em várias regiões do país. Nossos terrenos sem árvores não retém as águas da chuva no solo. A lixiviação (perda da camada superficial do solo) é a primeira resposta da natureza, seguida pelas erosões, assoreamento de leitos d’água, enchentes e desertificação.

A falta de perspectivas para o pequeno produtor e a tecnologia de produção expulsa o homem do campo. O êxodo rural causa uma explosão demográfica em nossas cidades. O surgimento de núcleos residenciais sem planejamento com construções sem qualquer estrutura que sobem os morros, invadem matas, restingas, promovem aterros em alagados, escavações irregulares e muitos outros atos impensados. A produção de lixo cresce em níveis alarmantes e grande parte dele vai parar mesmo nos leitos dos rios contribuindo para o assoreamento juntamente com as terras trazidas com as águas de chuva e as provenientes de desbarrancamentos.

Cada dia mais nossa “selva de pedras” se expande, com a escassez de vegetação e o excesso de concreto o solo de nossas cidades não tem como absorver as águas da chuva, o sistema de drenagem de águas pluviais não comporta tanto volume e nossos rios cada dia mais estrangulados e assoreados pelo dito progresso clamando por seu espaço perdido, enfurecido engole tudo que se encontra às suas margens, inclusive casas e seus moradores, causando pânico e desespero em quem é personagem do fado e sentimento de impotência em quem se faz mero expectador da tragédia anunciada.

A engenharia brasileira já produziu diagnósticos e propostas práticas de solução do problema, algumas dessas práticas de ordem até muito simples, porém de extrema competência. Infelizmente ainda está a faltar audácia e vontade política nas esferas públicas e privadas para que tragédias como o “dilúvio no sul” sejam evitadas. O progresso não respeita os limites da natureza, e a natureza em sua soberania responde à insensatez do homem. O que chamamos hoje de tragédias, é um grito, um pedido de socorro da natureza. E enquanto o homem não se reconhecer como integrante da natureza, parte de um todo e passar de “testemunha” a ativista, não haverá solução plausível para os desastres ambientais e sociais.

* Rose Tunala é licenciada em Ciências Biológicas e escritora

domingo, 30 de novembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Ambientalistas Educadores em Prosa


*Júlio Nessin

Que bom que o GAS foi aceito nessa comunidade
Independente de rótulo
Tamanho ou idade...
Que pena que o GAS ainda precise solidificar-se
Esse é o endurecimento da nossa realidade
Que tal se o GAS não fosse mais tão “gás” assim...
E fluísse solidamente em cada coração
E não tão somente na mente do conceito do preconceito e confusão?
Apenas brincando de trovar
Por ventos conventos e trovões
Estivemos num curso em curso que só lá
É o bastante para num instante
Em rezas e orações e condicionantes
Chegarmos a um só lugar.

Agradecemos à equipe do GAMBÁ

*Júlio Nessin Especialista em Gestão Ambiental e Poeta: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=31253.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Avaliação Estratégica Ambiental

A Avaliação Ambiental Estratégica constitui um processo contínuo de avaliação da qualidade do meio ambiente e das eventuais conseqüências ambientais do desenvolvimento de uma área ou região.

A aplicação efetiva da Avaliação Ambiental Estratégica fornece dados precisos e atualizados para tomadas de decisão que envolve aspectos ambientais e de desenvolvimento, avaliando o envolvimento de agentes sociais relevantes e as alternativas mais sustentáveis.

A avaliação define os procedimentos que devem ser incorporados a políticas públicas, planos e programas governamentais para assegurar a integração efetiva dos aspectos físicos, bióticos, econômicos, sociais e políticos

fonte: http://www.direitoambiental.adv.br/ambiental.qps/Ref/PAIA-6SRJWJ

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Declaração dos Direitos Humanos e a Mulher






A luta das mulheres contra a discriminação, a violência e o preconceito ganha, cada vez mais, visibilidade e seguidores em cada canto do mundo. Entretanto, isso chegou ao ponto em que está, graças às mobilizações, aos estudos, às participações em assembléias e movimentos realizados nas escolas, nas universidades e nos sindicatos. Parece até que a mulher ouviu, dentro de suas angústias, o desejo expresso nos textos de grandes poetas e escritores, a exemplo de Clarice Lispector, neste pensamento:

“Pegue para você o que lhe pertence,
e o que lhe pertence é tudo aquilo
que sua vida exige”.

E a vida exige, sim, para a mulher, trabalho e participação; dignidade e respeito...
As diferenças jamais poderão funcionar como desigualdades, numa discriminação de gênero que coloca a mulher numa situação de subalternidade, oriunda de relações sociais que a subjugam a uma condição de elemento inferior ao homem. A mulher deve, por ser de direito, assumir seu espaço na sociedade, ao lado do homem. Não se está fazendo aqui uma apologia do “feminismo” que se contrapõe ao “machismo” de forma, muitas vezes, apaixonada. O que se pretende é que a mulher ocupe o espaço a que tem direito, assim como o homem tem o seu. O que não deve acontecer é que a mulher, no afã de crescer, tenha pretensões de subestimar o valor do homem e sua capacidade à frente de suas tarefas. Que suas diferenças biológicas não sejam empecilho para que ingressem em qualquer trabalho com dignidade e recebam salários justos na mesma proporção aos salários dos homens.
Os direitos das mulheres devem ser assegurados e isso tem sido a bandeira de luta de todas as mulheres trabalhadoras do mundo. A formação de novas consciências, novos valores devem estar presentes nas palestras em associações, sindicatos e universidades, fazendo pulsar em cada instituição o sentimento de solidariedade, respeito, justiça e dignidade na relação entre homens e mulheres.
Consagra-se o dia 10 de dezembro como o “Dia Internacional dos Direitos Humanos”. Foi nessa data, em 1948, que a Organização das Nações Unidas (ONU) adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fazendo história no processo de reconstrução dos direitos humanos, claramente desrespeitados. Esse novo tempo foi pautado por um novo paradigma de justiça e dignidade humana. Esse é seu mais valoroso princípio.
Se formos buscar na história da humanidade, não é nova a idéia de os seres humanos buscarem suas liberdades individuais. Mas foi nos meados do século XX que houve uma regulação internacional, em resposta às atrocidades cometidas especialmente na 2ª Guerra Mundial, período negro da nossa história, onde imperou a lógica da destruição e o conceito de pessoas descartáveis, segundo historiadores. Os Direitos Humanos, então, passam a ser protegidos por um efetivo sistema internacional. Há 60 anos da ratificação, em 1948, do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Anistia Internacional (AI), denuncia que muitos artigos presentes nesse texto não são cumpridos. Aliás, isso não é novidade para todos os cidadãos que vêem seus direitos negados e que assistem estarrecidos, a cenas chocantes de violência, de morte nas filas dos hospitais, de despejos de casas, de mulheres serem violentadas pelos próprios cônjuges e tantas outras...
Nesse Ensaio, entretanto, quero dar enfoque à violência de gênero, uma questão secular que ainda não se resolveu, apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A mulher sofre discriminação, toda vez que lhe restringe ou anula sua capacidade de sentir, pensar, opinar, decidir, com base na igualdade de direitos entre ela e o homem. Os direitos humanos e as liberdades inalienáveis também lhes são negados. Mas a mulher sofre mais a carga de discriminação, mormente no campo político, econômico e civil. Ainda se inclui nessa discriminação, a violência baseada no sexo. A mulher torna-se objeto de desejo e exploração do homem, banalizando sua aparência, seu corpo e machucando seus sentimentos e emoções. Tudo isso vem causar o que se pode chamar de mortificação da alma, pelos danos físico, sexual e psicológico à mulher.
A mulher tem o direito de ser livre, viver livre da violência, praticar sua religião e se manifestar politicamente, como prevê o artigo II da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

“Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nessa Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou qualquer outra condição”.

“Não te deixas destruir...
Ajuntando novas pedras e
Construindo novos poemas.
Recria tua vida,
Sempre,
Sempre... (Cora Coralina)

Nas palavras da saudosa poetisa Cora Coralina, encontra-se o sentimento de não se deixar entregar, mas se reerguer depois de cada insucesso. Com as pedras do caminho, aprender a viver a vida e encontrar em cada dificuldade a doce esperança de sempre se levantar... Isso faz da vida um recomeço...

O mundo do trabalho foi marcado por grandes mudanças, essencialmente nesse início do século XXI. As novas tecnologias e a globalização revolucionaram as indústrias, as organizações, provocando impactos na economia e na vida do trabalhador e, de modo gritante, na vida das mulheres que se vêem às voltas com jornada dupla de trabalho e, cada vez mais com salários menores.
Sente-se que a inserção feminina no mercado de trabalho foi significativa, ao se constatar que a mulher tem rompido barreiras e, extrapolando os muros das suas casas, chegam às fábricas, ao comércio, aos bancos, aos hospitais, às escolas, às empresas... O trabalho fora do lar está transformando as mulheres em parceiras do homem no orçamento doméstico. E o trabalho que elas assumem tem características variadas pela diversidade de funções que ocupam.
Em nível mundial, as mulheres correspondem à metade da população economicamente ativa. Todavia, há uma triste realidade por trás dessa participação feminina no mercado de trabalho. Nota-se que há uma subordinação ao poder masculino, ocupando-se as mulheres de tarefas menos qualificadas e remuneradas com salários inferiores. É no setor de serviços onde se encontra maior número de mulheres trabalhando. A ascensão a postos mais elevados demanda muito tempo e acontece muito pouco. Essa discriminação de gênero, de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio), 1999, os homens receberam 68,7% dos rendimentos em salário no ano de 1998, enquanto as mulheres receberam 31,3%. E as mulheres negras recebem em média a metade do que as brancas recebem, comprovando que a desigualdade tem profundo recorte de gênero e de raça. Esses são dados mais antigos, mas que não mudaram muito a partir daí.
Pelo que foi exposto, vê-se que não se cumpre o que dispõe o artigo XXIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Artigo XXIII:
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem nenhuma distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a eles ingressar para proteção de seus interesses.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem como seu fundamento maior a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, com prioridade sobre todas as demais criaturas desse mundo.

Mena Azevedo: http://menaazevedo.blogspot.com/

ALERTA MÁXIMO


* Rose Tunala

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê em seus critérios que o índice de focos tolerado do mosquito Aedes aegypti é de 1%. Isto significa que, se em uma cidade for detectado entre 1 e 3,9 focos do mosquito em um grupo de 100 residências, considerar-se-á que a cidade se encontra em estado de alerta de risco de epidemia de dengue. Se esse índice for superior a 4, o município se enquadra nos termos de risco imediato de um surto da doença.
O Ministério da Saúde divulgou no último dia 20 o resultado do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa). Os dados mostram que, no Brasil, 71 cidades, dentre elas 14 capitais estão em estado de alerta para uma epidemia, e, 4 cidades se encontram com índices que determinam risco eminente de um surto de dengue. Esses municípios são: Mossoró (RN), Itabuna (BA), Epitaciolândia (AC) e Várzea Grande (MT).
Vale lembrar que esses dados foram avaliados por amostragem. Neste ano, 161 municípios de todo o país participaram do levantamento. Os critérios para a seleção desses municípios foram: capitais e municípios de regiões metropolitanas, municípios com mais de 100 mil habitantes, municípios com fluxo de turistas e municípios de fronteira. No Espírito Santo, dos 78 municípios somente 7 fizeram parte desse estudo, dentre os quais 4 se encontram em estado de alerta.
No mês de abril, só na cidade do Rio de Janeiro, surgiam 1000 novos casos de dengue por dia. As Forças Armadas entraram em ação com tendas-hospitais montadas em praças públicas, foi realizada uma verdadeira operação de guerra contra a dengue. Hospitais superlotados, corredores faziam a vez de quartos, e sofrimento, pânico e desolamento era tudo que se via no semblante das pessoas. Até 15 de outubro foram notificados 250 mil casos da doença e 181 mortes no Rio.
As pessoas sofrem ou vêem o sofrimento ao seu lado, vivem momentos de verdadeiro horror, mas parece que nem todos aprendem a lição. Mais da metade dos focos de criadouros do mosquito Aedes aegypti são encontrados ainda nas residências em depósitos de água como vasos, pratos, bromélias, ralos, garrafas, calhas entupidas, lajes, piscinas, caixas d’água e lixos sólidos encontrados em seus quintais.
Podemos considerar isso como puro descaso com a própria vida e com a vida de seus familiares e vizinhos, uma vez que nessas mesmas residências onde são encontrados focos, raramente não se encontra alguém que viveu o drama e já fez parte das estatísticas da dengue. Quando se fala em dengue, não cabe a máxima que diz: “Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Se você já foi vítima da dengue, permanece candidato em potencial para reincidência, e o que é pior, pode ser em uma versão mais grave da doença, inclusive a hemorrágica, que geralmente é fatal. Nesse sábado, 22 de novembro, tivemos o dia “D” de combate à dengue, onde União, Estados e Municípios se uniram à força da sociedade organizada para a guerra contra o mosquito Aedes aegypti. Porém essas ações terão seu valor reduzido ao passo que você cidadão não contribuir com a sua parte tomando os devidos cuidados, no dia-a-dia, dentro de sua própria residência, para que não se criem focos do mosquito e, também, facilitando o trabalho dos agentes da Sucam, permitindo as visitas em sua casa.

* Rose Tunala é licenciada em Ciências Biológicas e escritora

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PLURALIDADE, IGUALDADE E UNIDADE DO SER¹

²Júlio Nessin

Quero falar à humanidade sobre a sua maravilha de ser um ser plural na a riqueza cultural de seus povos, de seus ritmos; de suas formas variavelmente distintas e impares; e de suas cores, tons e gestos.

Mas também quero gritar pela igualdade no direito do ser e de viver humanamente... E no silêncio harmônico do aparente caos dos UNIVERSOS, quero refletir e contemplar a unidade da vida: desde o movimento dos átomos, ao estado estático-dinâmico do pensamento do Espírito.
Somos um na pluralidade de tudo, temos a mesma origem e somos constituídos dos mesmos elementos básicos da vida...

Biológica, psíquica e espiritualmente, necessitamos das mesmas coisas para nos mantermos vivos e capazes.
Revestidos de formas diferentes, somos todos essencialmente iguais e unidos somos apenas um.
A nossa pluralidade é a beleza da composição harmônica de cores e formas, criada e desenvolvida pelo absoluto ARTISTA do universo...
O preto, o branco, o amarelo e o índio, são variações tonais que dinamizam a obra-de-arte da vida, regido por Esta Inteligência Cósmica. E nós que somos uma parte modesta deste magnífico sistema, denominamo-nos de seres “inteligentes'” e causamos as mais absurdas burrices que a razão pode conceber: ignoramos-nos, dividimos-nos e destruímos-nos: Somos uns boçais!

Partindo desta reflexão, somos forçados a nos libertamos do jugo da imbecilidade formada de preconceitos. Neste momento eu conclamo a todos, homens e mulheres: Apartai-vos urgentemente da mediocridade do racismo, da guerra santa, da discriminação sexual, social, econômica ou cultural; apartai-vos da violência ao seu próximo e consequentemente da violência a si próprio.

Somos todos irmãos, frutos da mesma árvore, temos os mesmos direitos e é de direito respeitarmos esta Lei!... Reflitamos sobre isso... Somos UM no TODO universal!
Viva a riqueza plural e a igualdade substancial da unidade divina da vida!... O amor.

Amemo-nos!


¹Discurso de posse na “Comissão Executiva de Reflexão ao Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil” - Reitoria da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Salvador, maio de 1988.

Júlio Nessin
Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2007
Código do texto: T736665
http://recantodasletras.uol.com.br/discursos/736665


²Júlio Nessin: Licenciado em Educação Artística com Habilitação em Desenho, Especialista em Gestão Ambiental e Poeta.

África do Sul presta última homenagem a Miriam Makeba



Milhares de pessoas prestaram neste sábado na África do Sul a última homenagem à lendária voz do continente africano e símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul, Miriam Makeba, falecida na segunda-feira na Itália.

O ato público em uma sala de concertos de Johannesburgo reuniu alguns dos mais famosos músicos e artistas da África dos Sul, assim como políticos, que com música e poesia saudaram a memória da cantora conhecida como "Mama África".

Miriam Makeba faleceu aos 76 anos vítima de uma parada cardíaca depois de participar na noite de domingo no sul da Itália em uma apresentação de apoio a Roberto Saviano, o escritor italiano ameaçado de morte pela Camorra por seu livro "Gomorra', sobre a máfia napolitana.

Obrigada a deixar o país pelo regime do apartheid após sua participação em um filme que denunciava a segregação branca na África do Sul, Makeba viveu 31 anos no exílio, principalmente nos Estados Unidos e Guiné. Conhecida como "Mama África", a artista retornou à África do Sul no início dos anos 90, depois da libertação de Nelson Mandela.

"Ao morrer, estava fazenddo o que melhor sabia fazer. Nas palavras dela mesmo, amava a música acima de tudo, e sempre ficava feliz quando estava no palco cantando", disse o ministro da Cultura, Pallo Jordan.

O ministro elogiou Makeba como "uma mulher cujo nome se tornou sinônimo da luta mundial pela liberdade na África do Sul".

Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johannesburgo. Ela começou a cantar nos anos 50 com o grupo "Manhattan Brothers" e em 1956 compôs "Pata, Pata", a canção que seria seu maior sucesso.

A cantora viu seu país mudar com a chegada ao poder, em 1947, dos nacionalistas africaners. Aos 27 anos deixou a África do Sul pela carreira e teve a entrada proibida no país pelo compromisso com a luta antiapartheid, incluindo a participação no filme "Come back, Africa".

O exílio durou 31 anos, em diversos países. A cantora fazia muito sucesso, mas seu casamento em 1969 com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael, do qual se separou em 1973, não agradou as autoridades americanas, que a forçaram a emigrar para Guiné.

Depois da morte da filha hija única em 1985, voltou a viver na Europa, mas em 1990 Nelson Mandela a convenceu a retornar para a África do Sul.


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quem é o “irracional”?...


“O homem é um animal irracional, exatamente como os outros. A única diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal irracional complexo”. Fernando Pessoa² - Reflexões Sobre o Homem.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

DE PROBLEMA À SOLUÇÃO


* Rose Tunala

Imagine você, com esse calor, em frente ao mar, à beira da piscina ou em algum outro lugar qualquer saboreando aquela maravilhosa água de coco. Pense agora quantos anos uma casca do coco verde leva para se decompor na natureza. Imagina-se que por se tratar de um vegetal que seja exagero perguntar quantos “anos”, mas acertou quem pensou em aproximadamente oito anos. Fato esse que foi sempre tido um grande problema quanto ao destino a ser dado às cascas de coco, devido ao enorme impacto ambiental gerado.
Para o ano de 2005, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimou uma produção em torno de dois bilhões de frutos no território brasileiro o que deve ter gerado em torno de 600 mil toneladas de cascas de coco. Como a produção de coco no Brasil é crescente em níveis significativos, impulsionado principalmente pela demanda exigida com o aumento do número de fábricas envasadoras de águas de coco, podemos hoje vislumbrar números bem superiores aos citados acima.
Na mesma proporção da produção crescem também as preocupações com o destino adequado a ser dado às cascas de coco, quando uma grande parcela vai parar nos aterros sanitários, mares e rios causando transtornos ecológicos. Porém a longa duração da fibra de coco que era o problema outrora, hoje já está sendo visto por muitos como solução. As cascas de coco desfibradas ou trituradas geram uma matéria prima excelente para a fabricação de um grande número de produtos. A partir de suas fibras podem ser produzidos vasos tipo xaxim, substratos para agricultura, mantas para jardim, cordas, isolantes térmicos, estofados e outros tantos.
Podemos ressaltar para a fibra do coco uma importância especial ao substituir o Xaxim (Dicksonia sellowiana) o feto arborescente, da família das dicksoniáceas, nativo da Mata Atlântica e América Central. Devido à extração desenfreada do cáudice para produção de vasos e substratos, a espécie está ameaçada de extinção e sua extração está proibida em todo o Brasil. Os produtos fabricados com fibras de coco são ecologicamente corretos, uma vez que além de resolverem o problema dos resíduos gerados, contribuem para que o xaxim seja salvo da extinção e é 100% natural e nacional.
A situação estaria em perfeita harmonia, se a maioria das fábricas que utilizam as fibras de coco não fossem tão carentes de tecnologia e incentivos fiscais e sociais. Os equipamentos utilizados para o beneficiamento ainda são rudimentares, fato que eleva o custo e reduz a capacidade de produção. Contamos com muitos estudos que estão em andamento, projetos desenvolvidos por universidades e ongs, assim como profissionais competentes e comprometido com a causa. Atitudes que podem melhorar em muito a situação da reciclagem da casca de coco.
Levando em consideração a excelente matéria prima gerada pela casca de coco, os impactos gerados pelo não reciclagem e o fato de que o Brasil é o quarto maior produtor mundial de coco, espera-se que órgãos competentes (governos, ongs e sociedade em geral) dêem a devida importância ao fato, destinando verbas para pesquisas na área e estimulando empresários a investirem no ramo, viabilizando a aquisição de equipamentos e qualificação de profissionais, assim como concedendo incentivos fiscais.


Rose Tunala é licenciada em Ciências Biológicas e escritora
Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=30803

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Educação e Desenvolvimento Sustentável


¹Júlio Nessin

“O homem é um animal irracional, exatamente como os outros. A única diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal irracional complexo”. Fernando Pessoa² - Reflexões Sobre o Homem.

Para entendermos a identidade destruidora do homem, ou aquilo que denominamos irracionalidade, será preciso reconceituarmos o termo “animal irracional”, considerando que se tal conceito aplica-se ao homem tem conotação distinta àquela que se concebe ao tratarmos dos outros animais.

Relativamente ao homem, o adjetivo é, sem dúvida, pejorativo, uma vez que remete à agressividade humana para com natureza, do homem para com o outro homem e do homem para consigo mesmo. É óbvio que tais ações são tipicamente humanas, justificando perfeitamente o conceito “animal irracional”, e que é totalmente diferente da ferocidade dum predador numa cadeia ecossistêmica, no fenômeno natural da sobrevivência das espécies, pois, a cena da batalha dum predador numa caça, para se alimentar, jamais poderá ser descrita como um assassinato, e sim, como ação e reação biofísica de forças que se atraem e se repelem no processo vital desse organismo que compõe a biosfera.

Por outro lado, a ação predadora da irracionalidade humana é cruel e assassina, pois é “racionalmente” concebida e chega a ser imbecil, por ser auto-destruidora. Esse “homem-irracional” caça inescrupulosamente por ganância, orgulho e poder, de forma premeditada, portanto, nominalmente “racionalizada”, enquanto que o animal irracional propriamente dito luta pela sua sobrevivência, tendo como resultante a sobreexistência das espécies que povoam cada ecossistema, mantendo o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema como um todo.

A sustentabilidade é tema prioritário neste século, pois a corrida pelo desenvolvimento está levando o homem a se tornar a espécie ameaçadora da existência de todas as outras, inclusive da sua própria.

A luta deve ser pela busca de tentar alinhar desenvolvimento com sustentabilidade, sendo necessária, para isto, a tomada de consciência da real posição no processo desencadeado pelo ser humano, a caminho dessa autodestruição. A conscientização, por sua vez, tem que ser urgentemente instigada pelos pesquisadores das diversas áreas do conhecimento e difundida pelas instituições de ensino, do fundamental ao superior, utilizando-se de todos os meios de comunicação de massa e articulando-se com todas as organizações dos diversos segmentos da sociedade, ou seja: é preciso fazer um “levante” considerando uma nova ordem em beneficio da preservação da vida, pois a educação e desenvolvimento sustentável equivalem ao norteamento pragmático dessa “pseudo-ordem” política, econômica e social, que viaja aceleradamente a caminho do caos.


¹Júlio Nessin: Licenciado em Educação Artística com Habilitação em Desenho, Especialista em Gestão Ambiental e Poeta
²Fernando Pessoa, in 'Reflexões Sobre o Homem - Textos de 1926-1928'

EDUCAÇÃO E CIDADANIA


*Mena Azevedo


Vivemos hoje num cenário de mudanças velozes. A globalização nos coloca num mundo sem fronteiras e, como tal, não podemos estar desconectados de tudo o que acontece ao nosso redor. Isso não foge aos problemas vividos a cada dia na escola. Mais do que nunca, há uma preocupação na relação entre a escola e a realidade sociocultural dos nossos alunos, até para poder entendê-los, entender toda essa problemática chamada indisciplina. Esse é um fenômeno com o qual um grande número de professores tem dificuldade em lidar.
A Educação para o século XXI, segundo perspectivas da UNESCO traz a paz como fio condutor do mundo para a educação do futuro. Nessas perspectivas aparecem claras as novas posturas que educadores e educadoras devem adotar, como sejam: “cultivar a tolerância, o convívio com a diferença, a transigência como pressuposto e a negociação como instrumento do trabalho” em sala de aula para se chegar a um entendimento sobre os aspectos educacionais a serem observados, dentre eles educação e cidadania.
Mas o que é cidadania? De modo geral, a idéia de cidadania, hoje muito desgastada, é apresentada apenas como a de ter direitos, uma característica que não parece suficiente.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem promulgada em 1948 já previa a violação dos direitos humanos, quando se constatava que muitas famílias não tinham direito à moradia, à saúde e à educação, dentre outros direitos negados, como o de reivindicar, de denunciar injustiças.
Não se deve limitar a idéia de cidadania a ter direitos. Vai mais além. A cidadania não deve ser entendida como uma simples inserção social, no atendimento aos direitos, mas deve-se incorporar à idéia de se cumprir deveres. Nenhum cidadão é apenas cidadão de direitos, mas cidadãos de direitos e deveres.
Como falar em cidadania para crianças de escolas de periferia, em que a maioria delas é oriunda de lares despedaçados? Como falar em cidadania quando se vêem alunos mal alimentados, cuja única refeição que recebem por dia é a merenda escolar? Como falar em cidadania para esses alunos que já se acostumaram a presenciar a cena do despejo, porque seus pais não pagaram o aluguel das casas onde moram? Como falar em cidadania para filhos de pais que viram algum membro da família morrer nos corredores de hospitais públicos? Como falar em cidadania nas instituições escolares para alunos que estudam em escolas deterioradas pelo tempo, sem mobiliário adequado e outras condições pedagógicas? Como falar em cidadania na escola, se até os professores não são respeitados como profissionais, porque lhes negam um salário digno e condições de trabalho favoráveis ao desenvolvimento das atividades pedagógicas?
Poder-se-ia falar aqui de um grande número de situações que envolvem o desrespeito à vida, quando se desrespeita os direitos fundamentais do homem.
E foi refletindo sobre essa problemática, que chegamos a uma escola para fazer uma visita aos alunos e professores. Estavam desenvolvendo o Projeto “Resgate da Cidadania”. No momento em que os parabenizamos pelo trabalho, um aluno levantou-se com a seguinte pergunta:
- Professora, estamos desenvolvendo nesta semana o projeto “Resgate da Cidadania”.
Fizemos uma pesquisa de campo e pudemos fazer nossa leitura sobre a
realidade social desses lugares e encontramos os excluídos, os oprimidos, os sem-nada, os indefesos e injustiçados pelos governos. Essas pessoas estão exercendo a sua cidadania?
- Não. Respondemos de uma forma bem segura. Estar em gozo da cidadania é ter vida digna, vida de gente. É poder gozar de todos os direitos humanos que são direitos de todos. É ter moradia, ter educação e saúde de qualidade, ter lazer, ter liberdade para decidir o que é melhor para sua vida, além de outros elementos que definem o ser e o estar no mundo.
Meu caro leitor, os alunos dessa escola continuaram com outras perguntas que surpreenderam a todos nós, por envolver aspectos relevantes da condição humana. Falaram em solidariedade, em direitos civis, sociais e políticos. Abordaram os problemas que eles vivenciam na própria escola onde estudam, nas famílias onde nasceram, no bairro onde vivem, na cidade onde moram.
Com essas colocações, percebi que estava ali um terreno propício para ajudá-los a levar avante seu Projeto “Resgate da Cidadania”, já que entendemos que a cidadania passa pelo cuidado com as pessoas e com a educação como prioridade maior. E, refletindo melhor essa problemática, em tudo isso não basta elaborar leis, nem fornecer os meios materiais... Há necessidade de introduzir em cada ação, uma dose bem grande de amor, condição “sine qua non” para alcançarmos nossos objetivos.
E foi assim, com olhos bem vivos, ouvidos atentos e mente aberta que nos despedimos dos alunos e professores dessa escola.

*Mena Azevedo - Graduada em Letras, Pós-graduada em: Docência Superior; Administração de Sistemas Municipais de Ensino; Literatura Brasileira e Portuguesa; Membro efetivo da Academia de Letras e Artes de Brumado - ALAB, pela qual tem livro publicado: “Pelos Vieses da Educação” e poeta.