segunda-feira, 3 de novembro de 2008

DE PROBLEMA À SOLUÇÃO


* Rose Tunala

Imagine você, com esse calor, em frente ao mar, à beira da piscina ou em algum outro lugar qualquer saboreando aquela maravilhosa água de coco. Pense agora quantos anos uma casca do coco verde leva para se decompor na natureza. Imagina-se que por se tratar de um vegetal que seja exagero perguntar quantos “anos”, mas acertou quem pensou em aproximadamente oito anos. Fato esse que foi sempre tido um grande problema quanto ao destino a ser dado às cascas de coco, devido ao enorme impacto ambiental gerado.
Para o ano de 2005, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimou uma produção em torno de dois bilhões de frutos no território brasileiro o que deve ter gerado em torno de 600 mil toneladas de cascas de coco. Como a produção de coco no Brasil é crescente em níveis significativos, impulsionado principalmente pela demanda exigida com o aumento do número de fábricas envasadoras de águas de coco, podemos hoje vislumbrar números bem superiores aos citados acima.
Na mesma proporção da produção crescem também as preocupações com o destino adequado a ser dado às cascas de coco, quando uma grande parcela vai parar nos aterros sanitários, mares e rios causando transtornos ecológicos. Porém a longa duração da fibra de coco que era o problema outrora, hoje já está sendo visto por muitos como solução. As cascas de coco desfibradas ou trituradas geram uma matéria prima excelente para a fabricação de um grande número de produtos. A partir de suas fibras podem ser produzidos vasos tipo xaxim, substratos para agricultura, mantas para jardim, cordas, isolantes térmicos, estofados e outros tantos.
Podemos ressaltar para a fibra do coco uma importância especial ao substituir o Xaxim (Dicksonia sellowiana) o feto arborescente, da família das dicksoniáceas, nativo da Mata Atlântica e América Central. Devido à extração desenfreada do cáudice para produção de vasos e substratos, a espécie está ameaçada de extinção e sua extração está proibida em todo o Brasil. Os produtos fabricados com fibras de coco são ecologicamente corretos, uma vez que além de resolverem o problema dos resíduos gerados, contribuem para que o xaxim seja salvo da extinção e é 100% natural e nacional.
A situação estaria em perfeita harmonia, se a maioria das fábricas que utilizam as fibras de coco não fossem tão carentes de tecnologia e incentivos fiscais e sociais. Os equipamentos utilizados para o beneficiamento ainda são rudimentares, fato que eleva o custo e reduz a capacidade de produção. Contamos com muitos estudos que estão em andamento, projetos desenvolvidos por universidades e ongs, assim como profissionais competentes e comprometido com a causa. Atitudes que podem melhorar em muito a situação da reciclagem da casca de coco.
Levando em consideração a excelente matéria prima gerada pela casca de coco, os impactos gerados pelo não reciclagem e o fato de que o Brasil é o quarto maior produtor mundial de coco, espera-se que órgãos competentes (governos, ongs e sociedade em geral) dêem a devida importância ao fato, destinando verbas para pesquisas na área e estimulando empresários a investirem no ramo, viabilizando a aquisição de equipamentos e qualificação de profissionais, assim como concedendo incentivos fiscais.


Rose Tunala é licenciada em Ciências Biológicas e escritora
Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=30803

2 comentários:

Rose Tunala disse...

Oi Julio...

O Blog do "GAS" etá com matérias excelentes.
Cada dia melhor.

Um abraço.

Mena disse...

Júlio, o GAS está publicando textos muito bons sobre a questão ambiental. Esse "De Problema à Solução de Rose Tunala é muito bom e alternativas quanto ao uso da casca de coco para despoluir o ambiente. Parabéns!
Um abraço.